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14 novembro 2017

Resenha | Entre quatro paredes

Título: Entre quatro paredes
Autora: B. A. Paris
Editora: Record
Gênero: Thriller psicológico
Páginas: 266
Ano: 2017
Skoob

(Cortesia da editora)

Sinopse: Um thriller sobre um sonho que torna-se pesadelo. Grace é a esposa perfeita.Ela abriu mão do emprego para se dedicar ao marido e à casa. Agora prepara jantares maravilhosos, cuida do jardim, costura e pinta quadros fantásticos. Grace mal tem tempo de sentir falta de sua antiga vida. Ela é casada com Jack, o marido perfeito.Ele é um advogado especializado em casos de mulheres vítimas de violência e nunca perdeu uma ação no tribunal. Rico, charmoso e bonito, todos se perguntavam por que havia demorado tanto a se casar.Os dois formam um casal perfeito. Eles estão sempre juntos. Grace não comparece a um almoço sem que Jack a acompanhe. Também não tem celular, que ela diz ser uma perda de tempo. E seu e-mail é compartilhado com Jack, afinal, os dois não guardam segredos um do outro. Parece ser o casamento perfeito. Mas por que Grace não abre a porta quando a campainha toca e não atende o telefone de casa? E por que há grades na janela do seu quarto? Às vezes o casamento perfeito é a mentira perfeita.



Quem lê uma sinopse dessa e não deseja fazer a leitura quase que imediatamente? Entre quatro paredes já começa a nos instigar pela descrição, antecipando a tensão que o livro carrega. Imagine um casal apaixonado, que não faz nada separado. Grace até abriu mão do emprego para poder se dedicar a casa, e acha que não precisa de celular, pois é perda de tempo. Jack, rico, lindo, um advogado defensor de mulheres vítimas de violência que nunca perdeu um caso, um marido perfeito, apaixonado e extremamente carinhoso. O que é estranho mesmo é Grace nunca atender ao telefone e nem a campainha. E por que há grades na janela do seu quarto?

"Não há livros, papel ou caneta para me distrair. Eu passo os dias suspensa no tempo, uma massa sem vida na humanidade." (p. 85)

A narrativa é feita pelos olhos da protagonista, o que é ótimo em se tratando de um thriller psicológico. Alternando entre passado e presente somos transportados para tudo que levou Grace até aquele momento do matrimônio. Essa mudança de tempo na narrativa mantém bem o clima de tensão durante a leitura, e nos deixa alertas a cada início de capítulo. Paris tem uma escrita que flui maravilhosamente bem e nos instiga a continuar.

Dizer que o tema do livro é sobre relacionamento abusivo não é nenhuma informação preciosa, já que qualquer leitor atento percebe pela sinopse. O que surpreende é a forma de violência que Jack usa, que muitas vezes esquecemos que existe e que está tão presente quanto a violência física. Outra coisa que nos surpreende, e que está além do que a sinopse revela, é uma personagem secundária chave na trama. É por ela que Jack tem suas motivações e é por ela que Grace fará de tudo para se livrar desse relacionamento. Não vou entrar em detalhes, pois assim como quase tudo foi uma surpresa para mim, também quero que seja para vocês.

O que mais nos envolve no livro é a narrativa de Grace e tudo que ela passa. É como se estivéssemos juntos ali com ela, vivendo tudo aquilo. Me perguntei muitas vezes até quando eu aguentaria tudo que ela viveu. Para mim, o fato de Jack ter revelado logo no início do livro seus motivos, não tirou o clima de expectativa, até por que a autora consegue nos angustiar até a última página. Somente alguns diálogos do vilão, que achei um tanto forçados, principalmente quando ele revela pela primeira vez suas motivações, me fizeram tirar uma estrelinha. Porém, essa é uma opinião que varia de leitor para leitor.

Muitos leitores podem questionar os sinais que Grace não percebeu desde o início, mas não podemos nos esquecer a quantidade de vezes que fomos enganados por um sorriso, palavras carinhosas e atitudes aparentemente generosas. É complicado! O terror doméstico aqui é real! Jack calculou cada detalhe. Nesse livro achei mais fácil julgar as pessoas que não percebiam que existia algo de errado, já que, obviamente, não existe casamento perfeito (um marido perfeito como Jack então, nem se fala!). E nesse contexto, adorei o desfecho, foi como uma respirada de alívio, e ao mesmo tempo, me deixou com um gostinho de quero mais. 

Entre quatro paredes é um ótimo livro, que apesar de angustiante, lemos em uma tacada só. Para o primeiro livro da autora, ela acertou bem, pois conseguiu me prender e desejar ler suas futuras obras. Leia que não haverá arrependimento. 

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