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25 julho 2017

Resenha | A senhora de Wildfell Hall

Título: A senhora de Wildfell Hall
Autora: Anne Brontë
Editora: Record
Gênero: Romance histórico
Páginas: 504
Ano: 2017
Publicação original: 1848
Skoob

(Cortesia da editora)

Sinopse: Clássico da literatura inglesa, considerado o primeiro romance feminista, em edição integral.  Filha mais nova da família Brontë, Anne era irmã de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivantes, e de Charlotte Brontë, autora de Jane Eyre — livros clássicos e reeditados até hoje. Anne Brontë (1820-1849) desafia as convenções sociais do século XIX neste romance, A senhora de Wildfell Hall. A protagonista da obra quebra os paradigmas de seu tempo como uma mulher forte e independente, que passa a comandar a própria vida. Ao chegar à propriedade de Wildfell Hall, a Sra. Helen Graham gera especulação e comentários por parte dos vizinhos. O jovem fazendeiro Gilbert Markham, por sua vez, desperta um grande interesse pela moça e, aos poucos, vai criando uma amizade com ela e com seu filho. Porém, os segredos do passado da suposta viúva e seu comportamento arredio impedem que o sentimento nutrido pelos dois se concretize, fazendo com que Gilbert tenha dúvidas sobre a conduta da moça. Quando a Sra. Graham permite que ele leia seu diário a fim de esclarecer os fantasmas do passado, o rapaz compreende os tormentos enfrentados por aquela mulher e as razões de suas atitudes. Ela narra sua história até então, desde a relação com um marido alcoólatra e de conduta abominável até a decisão de abandonar tudo em nome da proteção do filho.



Não é de hoje que amo os livros das irmãs Brontë (Charlotte e Emily), e das três só me faltava ler algo da Anne. Até que li essa edição integral de A senhora de Windfell Hall, publicada recentemente pela Editora Record. A obra é considerada o primeiro romance feminista e conta a história de Helen, uma suposta viúva que vai morar na mansão quase abandonada de Windfell Hall com seu filho pequeno. Sua chegada e seu comportamento arredio, bem como suas opiniões são logo questionadas e caluniadas pela vizinhança. Mas sua personalidade logo chama atenção de Gilbert, um fazendeiro da região, que faz amizade com a nova inquilina e seu filho Arthur. Ele acaba se apaixonando, mesmo sem saber do verdadeiro passado de Helen e apesar de tantas acusações contra sua conduta. Até que Helen resolve provar os motivos que a levaram a Windfell Hall e entrega seu diário para Gilbert, onde ele enfim descobrirá os segredos de seu passado.

" - Então deve pensar que ambos os sexos são igualmente fracos, e que o menor erro, a menor sombra de poluição, arruinará uma mulher, enquanto o caráter de um homem apenas será fortalecido e embelezado por ela, e sua educação ficará mais completa com uma certa familiaridade com o proibido." (p. 41)

Primeiramente tenho que dizer que amei o prefácio da tradutora. Adoro começar um romance histórico, escrito por uma autora que viveu naquela época, e que conta com um prefácio que revela a trajetória da obra e parte da vida da escritora. Me sinto preparada para, enfim, começar minha leitura. 

A narrativa é feita em primeira pessoa e alternada entre dois personagens, Gilbert e Helen. A escrita da Anne é rica em detalhes e sentimentos e, confesso, possui uma fluidez maior do que eu imaginava. A autora mantém um certo suspense sobre as razões da protagonista Helen até determinado ponto do livro, até os seus segredos serem minuciosamente contados - apesar de já ter sido revelado ao leitor na sinopse. 

O passado de Helen é descrito na maior parte do livro, e esses trechos são os mais dolorosos durante a leitura. Anne foi bem ousada na época, tanto que sua história foi considerada exagerada, recebendo críticas pela forma que os personagens masculinos foram trabalhados em sua obra. Ora, nós sabemos hoje como era a vida em sociedade para uma mulher do século XIX. E a autora, narrando um casamento infeliz da protagonista, os excessos de seu marido, a maneira com que ela era tratada e submetida a uma vida em função de seu cônjuge, só poderia ter recebido inúmeras críticas em uma sociedade extremamente machista em que vivia. E é por isso, que para nós, leitores de hoje, a narrativa de Helen é angustiante e seu sofrimento quase palpável. E para os editores daquela época, era inconcebível uma protagonista querer sua independência e confrontar o vício do marido. Porém, apesar da força da protagonista, também nos é revelado seu lado mais sensível, quando muitas vezes ela ilude-se com a conduta do marido, e tem seus pensamentos mais românticos e sonhadores como todas as mulheres. 

O que mais gostei no livro foi confrontar com essa realidade da época, e pensar quantos casamentos infelizes existiram, em especial, claro, para as mulheres. Apesar do sexo feminino ser o mais submetido às convenções, gostei da autora ter acrescentado a isso, o caráter questionável também de algumas mulheres, que também eram infiéis a seus maridos amorosos. Dessa forma, ela mostra que ambos os sexos são merecedores de fidelidade e respeito, bem como receber a mesma educação. Além disso, nos mostra também, através da criação de personagens secundárias, que as próprias mulheres tinham sua dose de machismo, quando julgavam o comportamento arredio de outras. Polêmico, sem dúvida, para um romance de 1848!

A senhora de Wildfell Hall é um romance histórico com uma protagonista que representa milhares de mulheres subjugadas pelos homens e às severas convenções de uma época. Trata do alcoolismo em sua realidade cruel, e ainda nos deleita com um amor verdadeiro, que torcemos para que tenha um final feliz. Tudo em uma escrita envolvente, rica em detalhes e sentimentos. Uma obra riquíssima e que precisa estar na estante dos amantes de romances históricos feministas e, para nós, apreciadores das obras das irmãs Brontë. Simplesmente amei!

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13 comentários:

  1. Você me deixou completamente louca para ler essa história! São tantos livros que preciso ler, que preciso comprar que não sei mais o que faço!kkkkkkk...

    Nunca li nada da Anne Brontë. Sou fã incondicional da Emily, amando e odiando O Morro dos Ventos Uivantes. E sempre tive curiosidade de ler algo da Anne.

    Sei que a Charlotte é bem famosa por conta de Jane Eyre, mas tenho uma certa implicância com ela porque há quem a considere melhor que a Emily. Isso para mim é inaceitável.rsrs

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    Respostas
    1. hahahahha
      Eu também amo e odeio O morro dos ventos uivantes (acho que odeio mais kkk).
      Não gosto de ficar falando qual é melhor ou pior, mas AMO Jane Eyre, é um dos meus romances históricos preferidos da vida!

      Leia esse da Anne, é muito, muito bom!

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  2. Oiii Leticia tudo bem?
    Eu sou apaixonada por livros que retratam a mulher desde antigamente com o poder e a coragem que sempre teve, gostei muito de saber a sua opinião e sei que me encantaria em ler, além do mais essa edição está um luxo de tão linda, preciso ler!
    Abraços

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  3. A unica obra que já li dessa autora foi Morro dos Ventos Uivantes que eu simplesmente não consegui gostar...
    Vi um filme esses dias baseado em uma obra dela e agora conheci esse livro através de sua resenha....
    Curti mais Jane Austen, mas vou anotar essa dica e dar mais uma chance ... rs

    Beijinhos!

    #Ana Souza
    https://literakaos.wordpress.com/

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  4. Olá, tudo bem?

    Nunca li nada dessa autora e pela sua resenha fiquei encantada e com MUITA vontade de ler. Gosto de romances históricos e com essa premissa, fiquei muito tentada a ler, vou colocar na lista e ler em breve.

    Beijos
    Laneh Martins

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  5. Aaah que história incrível! Eu já tinha ficado curiosa em relação a esse livro porque das irmãs Brontë, a obra da Anne foi a primeira que eu havia lido e me apaixonado logo de cara pela sua escrita, agora após ler a sua resenha fiquei ainda mais curiosa. Romances de época são maravilhosos, ainda mais quando trazem temas polêmicos da época. Fiquei imaginando a situação da Helen e com certeza já estou torcendo para que ela tenha um final feliz com o Gilbert. Sua resenha está perfeita e estou ansiosa para conferir essa história. Bjss!

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  6. Olá!

    Não sou fã de romance de época, mas tenho que admitir que esse me chamou a atenção, apenas pelo fato de ter sido escrito naquela época, e não esses romances que tem por aí. Chegou a ver o filme das irmãs Bronte? Recomendo, é muito bonito!

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  7. Oiii!!

    Eu amo o gênero e fiquei muito feliz em ver sua resenha. Gostei da sua resenha e saber um pouco mais sobre a obra.
    Dica anotadinha!

    Beijinhos

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  8. Olá! Desconhecia essa obra e fiquei mega encantado. Já quero ler o mais rápido possível, amo romances históricos e vou marcar na minha lista de desejados. Até então eu conhecia o tão famoso "O morro dos ventos uivantes". Dica anotada!

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  9. Uau, parece ser uma leitura sensacional! O que mais chamou minha atenção foi o fato de, como você comentou, ser um romance de época escrito por quem vivenciou tudo isso na pele. Com certeza é bem diferente de lermos algo criado nos dias atuais. Não conhecia o livro nem as irmãs, mas sua resenha me deixou extremamente curiosa e empolgada para conhecer a obra e a forma como a autora narrou tudo.

    Beijos, beijos.

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  10. Eu tenho livros da Emily em casa para ler e não sabia da Anne mas o que mais gosto nestes livros é que elas já tinham um tipo de pensamento bem futurista em questão de personalidade feminina e hoje podemos nos identificar bastante com isto.

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  11. Olá! Estou super curiosa para ler esse livro, será uma das minhas próximas aquisições. Muito boa sua resenha. Gosto bastante dos livros das irmãs Brontë. Vale super a pena a indicação, bjooo

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  12. Gosto muito de romances de época e ou históricos, e sempre leio os que caem na minha mão. Este eu não conhecia e vou colocá-lo na minha lista de leituras.
    Bjs, Rose

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