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13 setembro 2016

Resenha | O vento da noite

Título: O vento da noite (edição bilíngue)
Autora: Emily Brontë
Tradução: Lúcio Cardoso
Editora: Civilização Brasileira
Páginas: 154
Gênero: Poemas
Publicação original: 1944
Ano: 2016
Skoob

(Cortesia da editora)

Sinopse: Único livro no país que reúne exclusivamente a poesia de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivante, este volume traz 33 poemas da escritora inglesa. Publicado no Brasil originalmente em 1944, como parte da primorosa Coleção Rubáiyát, da editora José Olympio, “O Vento da Noite”, traduzido por Lúcio Cardoso, retorna em edição bilíngue pela Civilização Brasileira. É uma bela oportunidade de reviver o encontro entre dois grandes nomes na literatura e de observar as especificidades que permeiam os processos de criação do autor e do tradutor – uma relação marcada pela sensibilidade, intimidade, escuta e delicadeza. A edição é organizada e apresentada por Ésio Macedo Ribeiro, organizador dos Diários, de Lúcio Cardoso. A prestigiada tradutora Denise Bottman assina o texto de orelha.

Emily Brontë foi uma autora consagrada por seu romance "O morro dos ventos uivantes", do qual não sou a maior fã. Mas hoje, adoro tudo que se refere as irmãs Brontë e saber sobre essa edição bilíngue com poemas de Emily, traduzidos originalmente em 1944 por Lúcio Cardoso, só me fez desejar a leitura.


Para meu deleite, os poemas são lindos e fortes. Em sua grande maioria falam de desesperanças, esperas, dores, almas solitárias, morte e vida eterna. Não são poemas incrivelmente românticos. Na verdade são dolorosamente pessimistas, o que nos leva a pensar se eram reflexos da vida da autora, uma vez que sinto que poemas são escritas tão íntimas do próprio coração.

Essa obra possui 33 poemas da Emily, que foram escolhidos na verdade pelo tradutor, que ousou corajosamente transcrever seus poemas para o português. Com essa edição bilíngue é possível ler a escrita original e logo ao lado a tradução de Lúcio, que não segue estritamente os originais. Não sou muito fluente no inglês, mas é possível notar a sutil diferença em alguns poemas e algumas maiores em outros. Porém, é isso que tornou a obra bela, forte e prazerosa.

Alguns poemas me agradaram mais que outros. O poema intitulado "Agora está acabado"  se revelou o mais forte para mim. Um pouco mais longo que os outros, esse nos fala de um tremendo desespero e até nos põe para baixo. Mas o meu preferido encheu meu coração, e tristemente foi o último poema que Emily Brontë escreveu antes de morrer tão jovem. Vou deixar um trecho dele ao final da resenha e ele falará por mim.

O prazer em ler poesia deve ser apreciado aos poucos, por isso recomendo uma leitura breve de O vento da noite a cada dia, embora eu tenha lido em dois, pois não resisti. Emily Brontë é uma autora imortal para a literatura e suas obras merecem ser apreciadas.


Trecho do último poema que Emily escreveu: Minha alma não teme coisa alguma


Minha alma já não teme coisa alguma,
E a escura tempestade em que sem descanso o mundo
Gira,
Não mais a abalará: (...)

Ó Deus que eu trago dentro em mim, (...)

A morte se esforça em vão para achar um espaço, 
Mas seu poder não pode aniquilar um átomo sequer.
Tu és o Ser e o Sopro, 
Nada poderia abolir as Tuas formas.



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7 comentários:

  1. Olá, Leticia.
    Amo essas poesias mais pessimistas, mais densas, mais profundas. A dor e o fazer poético combinam perfeitamente.
    Dica anotadíssima.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de setembro. Serão três vencedores, cada um ganhando dois livros.

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  2. Olá,
    Não sou muito fã de poesias e também ainda não tive contato com a escrita da autora por não ter lido o romance O morro dos ventos uivantes. Acho bem interessante a divulgação dessa obra, pois acredito que muitas pessoas não conheçam.
    Acho interessante as poesias não serem incrivelmente românticos, mas falarem de desesperanças, esperas, dores, almas solitárias, morte e vida eterna e, aparentemente apresenta profundidade.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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  3. Leticia realmente esse trechinho da poesia que você disponibilizou me fez sentir o quanto intensos são os poemas da Emily Brontë. Confesso que não gostei de O morro dos ventos uivantes devido às atitudes do protagonista, mas o enredo foi bem interessante. Confesso também que não sou uma leitora de poesia/poemas, lia mais na época da escola mas hoje em dia devido à correria não paro mais para ler esse estilo literário, quem sabe volte um dia!!???
    Para quem gosta de inglês deve se interessante adquirir essas edições bilíngues, assim pode ler a obra tanto na escrita original quanto a traduzida.
    Fico feliz que a sua leitura, apesar do teor pessimista e angustiante dos poemas, tenha sido prazerosa afinal é isso que importa não é!!??? Beijos e adorei conferir suas impressões sobre os escritos da Brontë.

    Leituras, vida e paixões!!!

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  4. Olá!
    Eu adoro a Emily e sou apaixonada por morro dos ventos uivantes, cada vez que leio descubro uma coisa nova. Mas infelizmente, apesar de adorar a autora, a poesia não me chamou nenhum pouco a atenção por não gostar do gênero mesmo, então deixo essa dica passar.
    Beijos.
    http://arsenaldeideiasblog.wordpress.com/

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  5. Nossa Le, ainda não conhecia esse livro, eu gosto de ler poemas, e saber que eles são um pouco mais pessimista, leva a crer que em algum momento a autora tenha estenuando sua vida. Vou anotar a dica. Bjkas

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  6. Eu já li "O morro dos ventos uivantes" umas três vezes e se você me perguntar se eu gosto do livro não sei o que dizer! Emily é louca! Maaaaaaasss foi uma louca genial!!! Também achei os poemas dela lindos e fortes!!!

    Pandora
    O que tem na nossa estante

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