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13 maio 2015

Resenha - 12 anos de escravidão

Título:  12 anos de escravidão
Autor: Solomon Northup
Editora: Seoman
Páginas: 232
Gênero: Drama
Ano: 2014

Sinopse: Talvez a melhor obra dentre todas as narrativas sobre a vida de um escravo, 12 anos de escravidão é um livro de memórias angustiante sobre um dos períodos mais sombrios da história norte-americana. Ele relata como Solomon Northup, nascido um homem livre em Nova York, foi atraído para Washington, D.C., em 1841, com a promessa de um emprego, e então drogado, espancado e vendido como escravo. Ele passou os doze anos seguintes de sua vida em cativeiro, trabalhando, na maior parte do tempo, em uma plantação de algodão na Louisiana. Após seu resgate, Northup escreveu este registro excepcionalmente vívido e detalhado da vida escrava. Tornou-se um sucesso imediato e, hoje, é reconhecido por sua visão incomum e eloquência, como um dos poucos retratos da escravidão americana, redigido por alguém tão culto quanto Solomon Northup - uma pessoa que viveu sua vida sob a óptica de uma dupla perspectiva: ter sido tanto um homem livre como um escravo.


Publicado pela Editora Seoman, 12 anos de escravidão conta uma história verídica que tem início em 1841 em Whashington, em Nova York. Este é o tipo de livro que desperta os mais inúmeros sentimentos no leitor - sendo o maior deles, a repugnância a alguns personagens reais descritos neste livro. A comovente história de Solomon Northup não poderia ter sido melhor contata, senão por ele mesmo. Tendo nascido um homem livre, ele fora sequestrado, sendo separado de sua esposa e filhos. Os acontecimentos após seu sequestro, deixam qualquer leitor perplexo com tamanha injustiça. Sendo enganado, drogado e jogado em uma cela, Solomon argumentou sua condição de homem livre, porém foi açoitado quase até a morte. Tendo em vista, o risco que correria, caso argumentasse qualquer coisa mesmo que fosse a mais pura verdade, Solomon manteve-se alerta e em silêncio, quanto a sua liberdade, a todos os seus senhores ao longo de 12 anos. 

Mantido em cativeiro, muito distante de sua família, Solomon nem sempre experimentou trabalhar para homens bondosos. Poucos eram os fazendeiros benevolentes. Ele passou a maior parte de sua escravidão - 10 anos dela - aos comandos do senhor Epps, dono de uma plantação de algodão na Lousiana. Lá ele não só presenciou atos de tremenda crueldade, como também os sofreu.


"As vozes dos representantes patrióticos, que proferiam discursos sobre liberdade e igualdade, e o entrechocar das correntes que prendiam os escravos soavam quase em uníssono." (p. 29)

Não pensei que pudesse chorar lendo este livro, mas não pude evitar. Os acontecimentos que sucedem o sequestro de Solomon - principalmente na fazenda do senhor Epps - são cenas extremamente nauseantes e desumanas. As flagelações que os escravos sofriam, inclusive ele próprio, eram descritas em sua verdade nua e crua. Então, como não se sensibilizar com tamanha crueldade? A submissão a que todos eram impostos, simplesmente porque nasceram negros, é indiscutivelmente injusto, e mesmo eu já conhecendo a história da escravidão, não conhecia nem um terço de sua real natureza ao ler este livro.

Com uma narrativa em primeira pessoa, Solomon conta de maneira clara e dando ênfase aos acontecimentos mais marcantes, como passou os 12 anos servindo aos seus senhores, sendo um homem livre. Alguns escravos que conheceu ao longo deste período, também mereceram algum destaque ao longo da narrativa. A sua inteligência e astúcia em diversos momentos, foram fundamentais para mantê-lo vivo, até sua libertação, onde soube aproveitar a devida oportunidade para fazê-la.

"Talvez haja senhores humanitários, tanto quanto, certamente, há os desumanos. Talvez haja escravos bem vestidos, bem alimentados e felizes, assim como há os maltrapilhos, mortos de fome e miseráveis." (p. 145)





A diagramação do livro está boa, porém li em formato econômico e não posso dizer muito. As folhas são brancas, e confesso que cansou a vista, por vezes. A capa é bem expressiva e não poderia ter sido melhor. A revisão está impecável e se tinha algum erro, eu não notei.

Em linhas gerais, 12 anos de escravidão é um relato forte de um homem que conheceu de perto a podridão humana, em sua pior face. Uma descrição surpreendente, com uma narrativa extremamente chocante - em que tive que interromper a leitura diversas vezes, por que simplesmente não conseguia continuar. Não tenho dúvidas, que as linhas escritas por Solomon, vão ficar gravadas na minha memória para sempre. Leiam, leiam, leiam!!


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26 comentários:

  1. Amiga primeiramente tenho que dizer que eu nunca tinha ouvido falar desse livro, mas achei bastante interessante tudo que você abordou sobre a história. Eu percebi que você ficou bastante mexida e até me deixou interessada a ler o livro embora não seja muito meu gênero de leitura, mas mesmo assim eu tenho que sair um pouco da minha ZONA DE CONFORTO. Espero poder gostar assim que tiver oportunidade. Adorei a ilustração. Isso me agrada também em livros =]

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/05/resenha-o-frances-que-caiu-do-ceu.html

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  2. Olá !
    Me interessei bastante no livro resenhado .
    Gosto muito de me aprofundar nesses temas reais , sabe ? A leitura é muito bem aproveitada nesses casos .

    http://coisasdediane.blogspot.com.br/

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  3. Olá Letícia!
    Sempre boas resenhas por aqui, não é?
    Leitura forte, parece ser um livro que prende mesmo.
    Abraços!
    Estael

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  4. Olá, Leticia.
    Eu tenho esse livro, mas na versão normal, e pretendo ler em breve.
    Também imagino que eu vá me emocionar com a obra; afinal, a premissa é muito forte e chocante.
    Excelente resenha. Fiquei com ainda mais vontade de ler o livro.

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  5. Ai ai, esses livro me perseguem. Adoro esse tipo de leitura, que choca, que nos comove e nos tira do eixo. Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas vi o filme e imagino que não narra tudo que deve estar contido no livro. Muito bom!!!
    Território nº 6

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  6. Olá Letícia, o livro parece ser bem forte mesmo por se tratar de um relato real da crueldade que ele passou, espero poder ler esse livro em breve.

    Visite "Meu Mundo, Meu Estilo"

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  7. Deve ser um relato emocionante, estou louca para ler! Já li várias resenhas elogiando a obra. *-*
    Quero assistir o filme também, deve ser lindo!
    Adorei sua resenha!
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  8. Olá, parabéns pela ótima resenha e dica de livro. ainda não tive o prazer de lê-lo, mas pretendo fazer isso o mais rápido possível. Gosto de temática e de livros que me mantém informada, que me tira da zona de leiga para politizada. Acho que esse é um desses livros.
    https://www.facebook.com/poesianalma

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  9. Eu assisti ao filme. Pela resenha mudou um pouquinho, mas imagino que seja fantástica a história. Os americanos quase nunca tocam na tecla da escravidão, por isso nos últimos anos foram produzidos muitos filmes e até minisséries abordando esse tema. Recomendo assistir The Book of Negroes, Selma( Não fala necessariamente da escravidão, mas fala do direitos dos negros), Jango ( apesar de ser cult vale a pena)...

    Parabens pela a resenha

    Beto

    www.blogcoisastriviais.blogspot.com

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  10. Nossa, uau!!!
    Esse livro parece realmente ser tocante.
    Mais um que foi pra minha lista de desejados.
    Amo livros que são baseados em fatos reais, e o fato do proprio personagem ser o autor, é sinal de um final ao menos aceitável.
    Muito boa sua resenha.
    :*

    www.saladadelivro.blogspot.com

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  11. Oi Leticia, tudo bem?
    Apesar de não fazer meu estilo (não curto muito histórias baseadas em fatos reais), a história é muito boa, e forte, acho que leria por conda disso.
    Bjs

    A. Libri

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  12. Oi Letícia, tudo bem?
    Já vi várias resenhas sobre esse livro e tenho muito interesse por essa leitura.
    Acredito que por ser uma história real isso deixe o livro ainda mais comovente e com certeza deve levar qualquer um as lágrimas.
    Injustiça é realmente algo que repúdio! Assim como descriminação, seja pela cor da pele ou por qualquer outra coisa então acho que essa leitura vai mexer muito comigo.

    Beijo :*
    http://www.livrosesonhos.com/

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  13. Na época que saiu o filme eu participei de debates sobre o tema escravidão. É chocante como tudo aconteceu, mas o que mais me choca é que ainda vemos acontecer e quase nada é feito.
    Eu só vi o filme e tenho interesse no livro, mas ainda não tive a oportunidade de ler. Gosto de ler histórias assim, pois eu acho que me torno uma pessoa melhor ao processar os horrores da humanidade.
    Beijos!

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  14. Oie! Tudo bem?!

    Eu vi o filme e achei muito emocionante... Nossa, arrebatador! Tenho o livro aqui também, mas confesso que tinha um pouco de preguiça de ler até ler sua resenha. Passando ele na frente de mtas leituras! rsrs

    Beijos,

    Juliana Garcez | Livros e Flores

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  15. Oi,
    Quando vi o livro e comecei a ler sua sinopse já conseguia imaginar o quanto seria uma leitura forte, que me levaria às lágrimas, já li um outro livro semelhante e sei bem o que você diz quando fala do sofrimento dele, esse talvez ainda eu leia, mas sem urgência, o filme é muito bom pelo os comentários que já ouvi.
    Beijos
    Mari - Stories And Advice

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  16. Eu assisti o filme e só eu sei o impacto que ele causou na minha vida. Assisti com meu namorado e nunca vou esquecer cada uma das cenas. É inacreditável imaginar quantas histórias como a do filme (e do livro) se repetiram. É doloroso pensar que a maioria das pessoas não foi capaz de encontrar um final feliz. Preciso ler esse livro... É uma autoflagelação, mas também um abrir de olhos, um tapa na cara que precisamos levar às vezes.
    Com carinho,
    Celly.

    Me Livrando

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  17. Que linda resenha! Também não me imagino chorando ao ler livros, mas este sei lá... Sempre fico impressionada quando o assunto é escravidão. Fico pensando como o ser humano consegue /conseguia fazer tanta maldade com pessoas que são humanas iguais a eles... Muito triste!

    Saudações pela sua resenha e pelo lindo blog!
    Pensamentos Valem Ouro

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  18. Ainda não li o livro e nem li o livro, mas já conhecia a existência de ambos. O tema tratado é forte e revela uma das piores atrocidades já cometidas pelo ser humano contra a própria espécie. O pior de tudo é saber que a prática ainda continua existindo, só tendo mudado a forma. Irei fazer a leitura e adorei a resenha.
    beijos.

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  19. Quero muito ler o livro, gosto de livros desse tipo, que mostrem a realidade que vivemos no mundo. Com certeza vou chorar.

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  20. Realmente o livro deve ser bem interessante … O filme em si, já é bem chamativo … Imagina o livro que tem informações mais completas?? A resenha está ótima, muito bem desenvolvida e escrita, parabéns!

    Abraços e até!

    http://lendoferozmente.blogspot.com.br/

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  21. Li esse livro para meu projeto "mais clássicos em 2015" e AMEI. Adoraria ter lido antes, mas ainda acredito que cada leitura é feita na hora certa, são os livros que nos escolhem e não o contrário.
    Impossível não sofrer junto com o Solomon, não desejar que a situação mudasse, que ele conseguisse fugir... É uma leitura bem melancólica, mas muito, muito bem vinda. Quero reler qualquer dia desses.

    Beijo
    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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  22. Quando a narrativa é em primeira pessoa creio que nos aproxima mais do personagem.
    Creio que por ser baseado em algo tão forte e cruel nos deixe mais sensíveis a história.
    Angel Sakura
    www.euinsisto.com.br

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  23. Oi, Le!
    Ainda não tive a oportunidade de ver o filme, não gosto de ver torturas, tenho o estomago muito fraco para isso e acredito que ler o livro seja ainda mais desgastante.
    Obrigada pela dica, mas essa irei deixar passar.

    Beijocas da Deebs!

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  24. Quantas pessoas não sofreram por causa da escravidão, muito triste isso e saber que isso aconteceu realmente heim, já quero ler ou assistir o filme.
    Beijos!
    islary34.blogspot.com

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  25. Letícia!
    O livro deve ser fabuloso.
    Tive oportunidade de assistir o filme e é realmente cruel.
    Inadmissívil o preconceito que ainda existe em nosso século.
    O sofrimento que passaram naquela época é visceral.
    “Os homens não desejam aquilo que fazem, mas os objetivos que os levam a fazer aquilo que fazem.”(Platão)
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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